Nossa Senhora da Assunção e São José


NOTÍCIAS DO PAPA FRANCISCO

PAPA FRANCISCO

ANGELUS

Praça São Pedro
Quarta-feira, 8 de junho de  2022

Estimados irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho da Liturgia deste domingo apresenta-nos um vivaz quadro doméstico com Marta e Maria, duas irmãs que oferecem hospitalidade a Jesus na sua casa (cf. Lc 10, 38-42). Marta começa imediatamente a receber os convidados, enquanto Maria se senta aos pés de Jesus para o ouvir. Então Marta dirige-se ao Mestre e pede-lhe que diga a Maria para a ajudar. A queixa de Marta não parece fora de lugar; aliás, sentimos que ela tem razão. Mas Jesus responde-lhe: «Marta, Marta, andas muito inquieta e preocupas-te com muitas coisas; no entanto, uma só coisa é necessária; Maria escolheu a parte melhor, que não lhe será tirada» (Lc 10, 41-42). É uma resposta que surpreende. Mas Jesus muitas vezes inverte a nossa maneira de pensar. Perguntemo-nos por que o Senhor, embora apreciando a generosa preocupação de Marta, afirma que devemos preferir a atitude de Maria.

A “filosofia” de Marta parece ser esta: primeiro o dever, depois o prazer. Com efeito, a hospitalidade não é feita de belas palavras, mas exige que se ponha as mãos no fogão, que se faça o que for preciso para que o convidado se sinta bem-vindo. Jesus sabe isto muito bem. E de facto reconhece a dedicação de Marta. Contudo, quer que ela compreenda que existe uma nova ordem de prioridades, diferente daquela que ela tinha seguido até então. Maria intuiu que existe uma “parte melhor” à qual se deve dar o primeiro lugar. O resto vem a seguir, como um riacho que corre da nascente. E assim nos perguntamos: o que é esta “parte melhor”? É a escuta das palavras de Jesus. O Evangelho diz: «Maria, que se assentou aos pés do Senhor para o ouvir falar» (v. 39). Notemos: não ouviu de pé, fazendo outra coisa, mas sentou-se aos pés de Jesus. Compreendeu que Ele não é um convidado como os outros. À primeira vista parece que ele veio para receber, porque precisava de comida e abrigo, mas na realidade, o Mestre veio para se doar a nós através da sua palavra.

A palavra de Jesus não é abstrata, é um ensinamento que toca e molda a vida, muda-a, liberta-a da opacidade do mal, satisfaz e infunde uma alegria que não passa: a palavra de Jesus é a melhor parte, aquela que Maria escolheu. Por isso deu-lhe o primeiro lugar: pára e escuta. O resto virá depois. Isto nada tira ao valor do compromisso prático, não deve preceder, mas fluir da escuta da palavra de Jesus, deve ser animado pelo seu Espírito. Caso contrário, reduz-se a uma azáfama e agitação por muitas coisas, reduz-se a um ativismo estéril.

Irmãos e irmãs, aproveitemos este tempo de férias para parar e ouvir Jesus. Hoje é cada vez mais difícil encontrar momentos livres para meditar. Para muitas pessoas, os ritmos de trabalho são frenéticos, desgastantes. O período de verão também pode ser precioso para abrir o Evangelho e lê-lo lentamente, sem pressa, um trecho por dia, um pequeno excerto do Evangelho. E isto faz-nos entrar nesta dinâmica de Jesus. Deixemo-nos interrogar por aquelas páginas, perguntando-nos como está a nossa vida, a minha vida, se está ou não de acordo com o que Jesus diz ou não tanto. Em particular, perguntemo-nos: quando começo o meu dia, atiro-me de cabeça para as coisas a fazer, ou procuro primeiro a inspiração na Palavra de Deus? Por vezes começamos os nossos dias automaticamente, fazendo coisas... como as galinhas. Não. Devemos começar os nossos dias primeiro olhando para o Senhor, pegando na sua Palavra, brevemente, mas que esta seja a inspiração para o dia. Se sairmos de casa pela manhã mantendo uma palavra de Jesus na nossa mente, certamente o dia adquirirá um tom marcado por aquela palavra, que tem o poder de dirigir as nossas ações de acordo com o que o Senhor quer.

Que a Virgem Maria nos ensine a escolher a parte melhor, que nunca nos será tirada.

(Fonte: https://www.vatican.va/content/francesco/pt/angelus/2022/documents/20220717-angelus.html)