Nossa Senhora da Assunção e São José


55- VOCÊ É O PINCEL! DEUS É O PINTOR!

Livro da Vida 12, 5

 

Quando digo “não se elevem sem que Deus os eleve”, uso linguagem espiritual; quem tiver alguma experiência vai me entender, pois, se não o entender, não sei dizer com outras palavras. Na teologia mística, de que comecei a falar, o intelecto deixa de agir porque Deus o suspende, como depois explicarei se souber e se Ele me conceder para isso o seu favor. Tentar ou presumir suspendê-lo por nós mesmos, deixar de agir com ele, é o que considero inconveniente, porque assim ficaremos bobos e frios, e não conseguiremos nem uma coisa nem outra. Quando o Senhor o suspende e o faz parar, Ele mesmo lhe dá com que se ocupar e se impressionar, de maneira tal que, no espaço de um credo, podemos compreender, sem raciocinar, mais do que, em muitos anos, com os nossos próprios esforços terrenos. É um disparate querermos conter as faculdades da alma e pensar em aquietá-las.
E repito, ainda que não se entenda: isso não é de grande humildade. Embora não haja culpa, haverá danos, pois será trabalho perdido, e a alma vai ficar um tanto desgostosa, como se estivesse prestes a dar um salto e se sentisse segura por trás, parecendo empregar a força sem conseguir o seu intento. Quem quiser comprová-lo verá o pouco ganho que vai ter, e, neste, a pequena falta de humildade de que falei. Porque numa coisa essa virtude é excelente: o que é feito com o seu apoio nunca deixa desgosto na alma.
Creio que expliquei bem, mas talvez só esteja claro para mim. Que o Senhor abra os olhos dos que isto lerem dando-lhes experiência, que, por pouca que seja, logo os fará entender.

 

Um pincel especial, de tamanho e espessura suficientes para ser manuseado por mãos guiadas por um grande coração: a “mão de Deus” segurando e conduzindo a sua mão, para que a cena saia do jeito que Ele sabe ser melhor! O pincel com boas e macias cerdas, sob as instruções do amigo e irmão Frei Ivo, só pode com a graça de Deus pintar maravilhas!

 

              

Ao ler o texto acima colocado, de nossa Santa, fiquei pensando no que Teresa de Jesus gostaria de nos dizer. Pensei... refleti... e não consegui encontrar uma resposta. 
Na verdade, entendo e compreendo para mim!
Creio que consigo sentir e entender o que Teresa quer me dizer com o que escreve. 
Porém, a dificuldade está em colocar no papel tudo o que Teresa me diz e entendo, para que quem ler isso que escrevo possa entender.
            Eu diria que Teresa nos chama a atenção no sentido de que nós sempre devemos fazer a nossa parte. Sempre, precisamos usar de todas as nossas faculdades para chegarmos até Ele. Sempre precisamos agir, como se tudo dependesse de nós.
            Nunca podemos e nem devemos deixar de usar os meios ordinários na nossa caminhada espiritual e na nossa caminhada em busca da vontade de Deus. Usar todos os meios ordinários e normais. Nunca deixar de lado o caminho da normalidade e, com normalidade, buscar este objetivo de viver uma “santidade” maior, mais profunda e até mesmo, mais original.
            E esses meios ordinários, que fazem parte do nosso dia-a-dia, são as coisas que fazem parte da nossa vida cotidiana. 
            Santa Teresinha do Menino Jesus, este jovem santa do Carmelo, quem sabe expresse muito bem tudo isso quando diz: “A santidade não consiste em fazer coisas extraordinárias. A santidade consiste em tornar extraordinário, aquilo que é ordinário.”
            Outra grande santa do Carmelo, Teresa Benedita da Cruz, nos diz que “a medida do nosso amor para com Deus está, na medida do nosso amor para com os irmãos.” Ou seja, não existe santidade com “conexão” direta para com Deus.
            E veja o que nos diz o Papa Francisco na Exortação Apostólica “Alegrai-vos e Exultai”: Gosto de ver a santidade no povo paciente de Deus: nos pais que criam os seus filhos com tanto amor, nos homens e mulheres que trabalham a fim de trazer o pão para casa, nos doentes, nas consagradas idosas que continuam a sorrir. Nesta constância de continuar a caminhar dia após dia, vejo a santidade da Igreja militante. Esta é muitas vezes a santidade «ao pé da porta», daqueles que vivem perto de nós e são um reflexo da presença de Deus, ou – por outras palavras – da «classe média da santidade».
            Em outra ocasião, o Papa Francisco disse que “nunca a Igreja católica teve tantos santos como hoje em dia”.
            Buscar a Deus... Buscar uma vida de espiritualidade... por caminhos normais, usando de tudo o que é normal para isso.
            Neste sentido é importante escutarmos Teresa de Jesus que certa vez afirmou que  “ tinha medo de certos santos encapuzados”!
Acredito que ao usar esta expressão, nossa criativa Santa, deveria se referir a todos que  usam de meios “estranhos” para fazerem um suposto caminho de santidade. A santidade não está no jeito com que a gente se apresenta, mas no modo com que “transpiramos” aquilo que vai dentro de nós, a partir desta profunda experiência de encontro com a pessoa de Jesus e do sentir-se totalmente envolvidos no amor do Pai. 

 

 


Nesta caminhada de espiritualidade, é preciso fazermos tudo aquilo que cabe a nós realizar, sempre com a normalidade de alguém que tem plena consciência de que caminhar para a santidade supõe determinação de nossa parte, mas acima de tudo, supõe colocar-se totalmente aberto para fazer a vontade do Pai.
Na sua caminhada de espiritualidade, pegue o pincel e tente retratar esta linda cena onde, você está ali com um pincel tentando colocar na tela essa caminhada que você está fazendo, mas onde, na tela aparece a “mão de Deus” segurando e conduzindo a sua mão, para que a cena saia do jeito que Ele sabe ser melhor.

Frei Ivo Bortoluz OCD

 


                                                                    Vamos rezar com as Irmãs...
 

                                                                         

Ó Santa Teresa de Deus amada,
grande amiga do Senhor, dá-nos sede de Deus...

 "Nesta caminhada de espiritualidade, é preciso fazermos tudo aquilo que cabe a nós realizar, sempre com a normalidade de alguém que tem plena consciência de que caminhar para a santidade supõe determinação de nossa parte, mas acima de tudo, supõe colocar-se totalmente aberto para fazer a vontade do Pai". 
Senhor Jesus, dá-nos um coração de filhos, filhos no Filho Jesus, para assim sermos felizes no Pai, que conduz o pincel, mas junto de nós e o por causa de nós. Amém.