Nossa Senhora da Assunção e São José


CHAMADAS À VINHA DO CARMELO


"Uma vez que o fim da Vida Consagrada consiste na configuração com o Senhor Jesus e com a sua oblação total, para isso, sobretudo, é que deve apontar a formação. Trata-se de um itinerário de progressiva assimilação dos sentimentos de Cristo para com o Pai" (VC 65).

"Nós temos reconhecido o amor de Deus por nós, e nele acreditamos" (Uo 4,16).

"Na base de toda consagração religiosa há um chamado de Deus, que só se explica pelo amor que Ele tem à pessoa chamada. Este amor é absolutamente gratuito, pessoal e único. Abarca toda a pessoa, a tal ponto que esta já não se pertence, mas pertence a Cristo (ICor 6,19). Reveste também o caráter de nina aliança^. "

Se a alma busca a Deus, muito mais a procura o seu Amado. Deus é o que chama, o que envia, o que concede dar fruto para o Reino: "Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi e vos designei para irdes e produzirdes fruto e para que vosso fruto permaneça" (Jo 15, 16).


"Oferecei vossos corpos como hóstia viva, santa e agradável a Deus" (Rm 12,1).
 "Aquelas a quem Deus chama dão a Cristo Redentor uma resposta de amor; um amor que se entrega totalmente e sem reservas e se concretiza na oferenda de todo ser 'como hóstia viva, santa e agradável a Deus'. Unicamente este amor, de caráter nupcial, implicando toda a afetividade da pessoa, permitirá motivar e sustentar as renúncias e as cruzes que necessariamente encontra quem quer 'perder sua vida'por Cristo e pelo Evangelho " (Mc 8, 35)3.
"Todas as que trazemos este sagrado hábito do Carmo somos chamadas à oração e contemplação. Porque foi essa a nossa origem; descendemos dos santos padres do Monte Carmelo que, em tão grande solidão e com tanto desprezo do mundo, buscavam esse tesouro"4.
A vocação carmelitana, plenamente centralizada na re-lação com Cristo por meio da oração e da contemplação é — para aquela que Deus chama — a forma própria na qual rea¬lizará sua existência cristã, por meio da profissão dos votos religiosos segundo as Constituições5.

"Arriscar sua vida", à maneira de Santa Teresa.
Movida pelo amor de Cristo, nossa Santa Madre Teresa insere-se na tradição viva, que há séculos atraía, a muitos dos que buscavam a Deus, ao Monte Carmelo, para viver junto à Fonte de Elias, "em obséquio de Jesus Cristo". Angustiada a Santa pelas rupturas da unidade da Igreja de seu tempo e pela descoberta de novos horizontes missionários, deu à sua vida contemplativa uma forte motivação apostólica. Ela arrasta após si a muitos para arriscar a vida por amor a Jesus, para "ser o amor no coração da Igreja ".
A formação no Carmelo consistirá, antes de tudo, em introduzir as candidatas nesta tradição viva, de maneira que cada nova irmã seja alicerce das que hão de vir: "Devemos sempre nos considerar alicerce das que vierem mais tarde ". "Que cada uma que vier faça de conta que nela recomeça a Regra Primitiva da Ordem da Virgem Nossa Senhora ".
 

"A castidade consagrada dilata a sua capacidade de amar".

E necessário comprovar que o amor de Cristo orienta todas as suas forças vitais para o dom de si mesma. 

A "pobreza da Ordem" está unida à simplicidade do deserto e à contínua purificação do espírito.
Na medida em que se faz mais livre e mais alegre, a pobreza orienta a pessoa
para um maior espaço para a oração e a esperança. 

O conhecimento de suas fraquezas e de suas limitações dará frutos de uma humildade que "não inquieta, não desassossega, nem deixa a alma em alvoroço e foi a alma mais capaz de servir a Deus ". 

Sua obediência crescerá. Experimentará uma verdadeira alegria fazendo a vontade das demais, deixando a sua para seguir a Jesus (Fl 2). A participação nos diversos trabalhos da Comunidade oferecer-lhe-á ocasiões para a iniciativa, a responsabilidade progressiva e também a dependência e a receptividade. Diante do testemunho das Irmãs da Comunidade, poderá aprender como "toda a vida é oração".

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"Vendo-vos, penso na Mãe de Cristo, penso nas santas mulheres do Evangelho, de pé junto à cruz do Senhor e co¬mungando na sua morte salvadora, mas também mensageiras de sua ressurreição. Escolhestes viver, ou antes, Cristo vos escolheu para viver com Ele, o seu Mistério pascal, através do tempo e do espaço. Tudo o que vós sois, tudo o que fazeis cada dia, quer se trate do Oficio salmodiado ou cantado, da celebração da Eucaristia, dos trabalhos na cela ou em grupos fraternos, do respeito da clausura e do silêncio, das mortificações escolhidas ou impostas pela Regra, tudo é assumido, santificado e utilizado por Cristo para a Redenção do mundo"
(Discurso de São João Paulo II, em DC de 15 de junho de 1980)

RATIO INSTITUCIONIS O.C.D.